dois meses em são paulo
quando encontramos a joana no cinema, a fofolete de finos cabelos compridos me pegou pelos bracinhos e me disse: tu te mudou pra cá, né?, tu tá morando aqui mas ainda não sabe, né?
há dois meses eu vim pra são paulo sem nenhuma missão a cumprir, sem nenhum plano a construir, sem nenhuma metáfora a decifrar. quando eu vim pra são paulo, todos os meus neurônios se destinavam a pensar que eu teria um carnaval para passar ao lado do fabris, e que os dias seguintes que viessem, seriam apenas os dias seguintes.
em dois meses parece que eu optei em seguir uma trilha ainda sem dito nome e no ir ficando em são paulo, a minha vida se tornou um pouco diferente. hoje eu moro com a pessoa mais carinhosa que conheço, trabalho na sala ao lado daquela onde durmo e tenho ao meu redor, pertences que não compõem a minha história passada, somente a futura.
como me dizia o washington na semana passada, hoje em dia a gente tem que se preocupar até com a presença ou ausência de papel higiênico no banheiro. se o corpo da vida adulta nos empurra de alguma forma, é melhor seguirmos o impulso a nos machucarmos terrivelmente permanecendo estáticos. e se são paulo é uma adolescente que em segredo busca a sua identidade, eu tenho percebido que naturalmente - ando me espelhando nela.
minha mudança (efetiva) para são paulo sempre esteve condicionada aos eventos de âmbito profissional que poderiam ou não acontecer. e o que tem acontecido é esta viagem mágica proporcionada pela grande maçã verde que tanto admiro. e esta viagem mágica não estaria me forçando a aprender tanto mais da mesma forma que me ensinando um grande punhado de coisas se antes de tudo não existisse a tão meiga mão amiga da carol e uma confiança que me enche os olhos de lágrimas, da deni.
meu pai diz que é meu torcedor número um, minha mãe diz ser a dois e abençoados que sejam, a absuradamente linda força que estes dois estão me dando não tem compartimento grande o suficiente que faça caber. por muitos anos eles foram aqueles que me deram uma casa, mas agora há um outro ser que me acolhe em seu larzinho tão branquinho. eu espero estar colorindo bem.

Comments
O que mais gosto nessa vida e o fato de ela ser totalmente inesperada, de as coisas acontecerem de um momento pro outro, sem aviso previo. Sair da avenida principal e pegar os atalhos. E ai que a viagem tem graca. Muitas felicidades em Sampa. Sempre.
Posted by: Deivis | April 20, 2004 3:58 AM
Carmela!! Vem colinho, vem! Sê bem-vinda nessa cousa douda de cidade! Colore o branco e também o chumbo do céu. Toma cá meu abraço que darei pessoalmente e as apertadas na bochecha. Beijocas
Posted by: Tia Bel | April 20, 2004 10:08 AM
ah, minha amiga... que post mais lindo esse. eu torço tanto por ti, minha amiga. a grande maçã verde vai continuar te solicitando e te dando trabalhinhos... porque assim queremos e porque sim, confiamos mto no teu trabalhinho.
minha semana tá sendo bastante estranha, já no segundo dia. meu coraçãozinho tá meio sem saber o que sentir. não sei se tenho raiva, carinho, pena, sei lá. é um mix de sentimentos contraditórios... e um mundo de trabalho que teno que vencer e não tô conseguindo. vamos lá, que eu vire um samurai hoje!
Posted by: gordinha | April 20, 2004 10:50 AM
esqueci: daqui a alguns dias, estaremos descobrindo essa cidade juntas :D
mal posso esperar! acho que vou pensar que tô sonhando!
Posted by: gordinha | April 20, 2004 10:51 AM
Estou passando por uma fase semelhante. Torço muito por ti, Cams. :D
Ps. Tu assistiu àquela palestra do Regener? Ele é meu colega de trabalho e o melhor programador que eu conheço.
Posted by: Manu | April 20, 2004 11:07 AM
eu acho que deveríamos ter nascido com olhinhos puxados gordinha, mas acho que puxadinhos mesmo.... só os nossos corações. te amo tanto, amiga!
Posted by: cams | April 20, 2004 11:38 AM