when there's a chance you'll come to me in dreams
umas das coisas que o fabris pediu e eu não cumpri em são paulo foi fotografar a meiga geladeira dele. de cima à baixo e pelos três lados a geladeira dele é coberta por fotografias transformadas em imãs. uma coleção de momentos e pessoas especiais da vida dele. um álbum gigante bem no centro do ambiente que alimenta o namorado: diariamente.
ontem à noite tivemos jantarzinho especial na casinha da carol e entre um pega e outro de bebida na geladeira, gordinha comentou que havia impresso várias fotinhos novas para imantificar no gelador dela. isso obviamente me fez lembrar das minhas fotos prediletas da geladeira do fabris: ele ao lado do pai na casa da praia e ele e marco lo'u'co tentando pular o muro de/em berlin.
gordinha disse que várias das fotinhos novas dela foram tiradas por mim, e embora a camera esteja sempre dentro da bolsa ao sair de casa, nos últimos meses eu tenho essa sensação de estar tirando cada vez menos fotos.
certo que notei que em muitos momentos ao lado do fabris a minha mente dissipou a idéia de catalogar cenas com a explicação de que certas cenas a gente simplesmente vive e não fotografa, mas agora que fabris está lá e eu aqui, uma parte de mim se arrepende por ter usado pouco a camera e catalogado de menos os melhores momentos da minha vida.
fabris e eu temos uma mania: aproximar a face um do outro ao máximo a ponto de nos vermos fora de foco e dividirmos o mesmo ar. e essa semana, me contando o quanto gostava de fazer isso, fabris me explicava que a vontade dele era de que, ficando assim comigo por horas, isso pudesse nos transformar em uma só pessoa. como se ao me ver fora de foco e ao respirar o mesmo ar que eu, eu fosse capaz de entrar pra dentro dele ou ele pra dentro de mim. e é dessa imagem super ampliada e tão fora de foco do fabris, que eu mais sinto falta.
então ontem a gordinha abriu as portinhas da casinha dela para receber seus convidados: celso, marcinha, aninha, renatinha, goli e eu. jajá não foi porque preferiu fugir pra praia, muito que provavelmente, com medo da pimenta dos tacos do celso. uma pena, porque a gente sentiu sua falta, jajá (um sol também é capaz de fazer falta à noite, sabe?). e sim, pra mim, nenhuma ausência foi tão grande quanto a do fabris, porque embora ele esteja no meu coração e tenha ligado, ele não compôs nenhuma das cenas.
Comments
Oi, lindinha. Só vim te deixar um beijo. hihihihi :-)
Posted by: Aninha | January 24, 2004 9:40 AM
ai, ai... sou só suspiros!
eu te amo tanto, minha amiga!
Posted by: gordinha | January 25, 2004 4:46 AM
Poeminha pra mania desenvolvida entre vcss:
Trecho do livro de Julio Cortazar: O Jogo da Amarelinha. Capítulo 7:
Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas cavernas onde o ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim como uma lua na água.
...amor e amar...ai ai....
bejos carmelinda...
mirela.
Posted by: mirela | January 25, 2004 12:36 PM
Também senti falta de vocês.
Mas é que às vezes eu preciso recarregar o meu solzinho interno. E a praia é o lugar perfeito pra isso. Beijinhos e saudades, amiga.
Posted by: jajá | January 30, 2004 2:27 AM