they watch their city change
a mãe sempre conta que a última gravidez dela foi planejada. um intervalo de sete anos e parecia ser hora da família toninelo também ter uma menina. a mãe conta que quando ela perguntava para os meninos se eles queriam uma irmãzinha, o giovanni dizia que queria porque teria mais alguém com quem brincar, mas a mãe conta que o luigi dizia que não queria saber de menina. que se nascesse uma menina, ele mataria a pequena criatura.
a família conta que minha vó ficou com os meninos em casa quando a mãe foi para a maternidade. a mãe diz que de um parto que deveria ter acontecido um dia antes, eu só quis saber de sair da barriga dela muito tarde da madrugada, quase que ao amanhecer do dia. seis horas eu fiz minha mãe esperar, mas ela diz que eu esperei bem mais. nove longos meses, até vir ao mundo no dia mais frio daquele ano.
a família também conta que minha mãe temia a reação do luigi. a menina nasceu e contam que quando o inquieto e feito filho do meio soube, lá foi ele correndo para o quarto escrever cartõezinhos de boas vindas pra mim. alguns ainda existem guardados, e os outros se perderam da mesma forma que o luigi costumava me perder ao tentar me segurar no colo.
meu sobrinho foi um filho planejado, ou melhor dizendo, o segundo filho planejado. a família conta que a primeira vez que o luigi perdeu o senso de controle foi quando a minha cunhada teve o primeiro feto abortado naturalmente. a mãe diz que foi um desconsolo só e que se não fosse pela força da mulher com quem meu irmão casou, o lorenzo não teria se transformado em feto no mês seguinte.
e então o pequeno menino chegou ao mundo esta manhã. ficou faltando só dois centímetros pra meio metro, disse meu irmão enquanto perambulava pelo hospital conversando comigo.
ele tá tentando abrir os olhinhos pra enxergar as menininhas que estão perto dele. tô aqui perto da incubadora, carmela. meu filho é tão legal!
e é óbvio que o filho do meu irmão é legal. porque o pai dele é um cara muito legal também. e eu estou ficando sem palavras, porque eu queria poder me juntar a ele e ao alê e me entorpecer fumando charuto o dia inteiro. acho que vou beber conhaque sozinha enquanto utilizo cabos ópticos da telefonia brasileira para me conectar agora com meu outro irmão perdido em alguma boca de denver.
note: eu não ando tendo coração suficiente pra suportar tudo isso que anda acontecendo! tá pulando pra fora! e acho que eu começo a entender agora porque meu pai anda me agradecendo tanto.
ps.: o luigi foi o primeiro a abrir - desesperadamente - o falcon que ele ganhou naquele natal passado, muito antes de eu vir ao mundo.

Comments
Momentos felizes assim chegam a ser meio surrealistas. Mas com certeza eles só acontecem com pessoas com um coração grande e cativante como o seu. Parabéns pelo sobrinho.
ps. legal em toda essa história vai ser (já é!) essa tia aí atrás da tela.
Posted by: Deivis | November 27, 2003 4:55 AM
:')
no words, amiga.
Posted by: gordinha | November 27, 2003 5:47 AM
Parabéns a família Toninelo pela chegada de seu mais novo membro. Desejo de todo coração que seja uma criança com muita saúde, porque com certeza já é muito amada e querida por todos. E também tem muita sorte porque tem uma tia muito "bacana", que certamente atenderá a todos os seus desejos e lhe proporcionará muitas alegrias e lhe ensinará muita coisa.
PS. Eu tenho uma tia assim. Que por sinal, quando eu tinha uns 7 anos, me deu um Falcon igual ao da foto. Muito legal.
Posted by: Arthur Galli | November 27, 2003 8:37 AM
eu tô uma babona, né? e uma cara de choro que só vendo! vocês todos são lindos! e muito, muito especiais. hoje mais do que nunca, estes comments representam um baú super precioso pra mim!
(L)
Posted by: cams | November 28, 2003 2:09 AM