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surrender, i thought, there's no place to hide. the butterflies will always win.

mister match e eu conversávamos noite passada sobre este período notável e contabilizado no tempo que se passa agora. algo do tipo 'algo está acontecendo nas últimas semanas' ou 'será que fomos abençoados por alguma entidade secreta?'

desconhecida que seja a verdade da realidade em si, não deixa de ser presente e sincera a vontade que dá de chorar em ver a gente assim. somos quatro, um par de duplas ou simplesmente quatro unidades humanas que não fugiriam muito da sanidade se pensassem que foram ternamente presenteadas com algum reflexo de amor divino (quem sabe seja mais simples chamar a isso de benção mesmo).

mas o fato é que semana passada eu ganhei do namorado o ghost in the shell em versão caixinha de dvd. e antes de imaginar que eu poderia juntar minhas leituras ao conforto duma história intricada, estranha e muitas vezes hermética (pq o ghost é assim) eu mantinha na minha cabeça a idéia transposta pelo namorado de que eu era muito parecida com motoko kusanagi. segundo namorado, somos bastante introspectivas, temos crises existenciais e estamos sempre conectadas à grande rede de computadores.

se no futuro descrito por shirow masamune, homens e máquinas são tão perfeitos que ninguém sabe mais quem é quem, certamente que o único detalhe que os diferenciaria, seria a presença de seus respectivos fantasmas (ou seja, a alma humana). no futuro de masamune, propício ao ano de 2029, apesar de toda a capacidade e evolução da cibernética, sua personagem central procura dentro de si esse sinal de humanidade. esse sinal que pra mim, se resume muito prontamente em tentar me encontrar ou me achar dentro do meu próprio projeto de pesquisa.

gustavo me disse hoje que o projeto não é pra ser achado ainda, que o projeto é uma grande pergunta que você faz. então como abraçar os blogs dessa vez?

hoje namorado recebeu uma figura da motoko transformada em brinquedo. e só eu sei que o me fez confiar a compra de um presente importante numa loja tão amplamente fora dos meus padrões de aceitação (estéticos): o sobrenome do dono da loja.

ricardo pirillo foi meu atencioso vendedor, e eu duvido muito que ele saiba que não muito distante do domínio dele na rede, existe o de um outro alguém com mesmo sobrenome. chris pirillo é americano, programador, fundador do lockergnome e autor de um blog com embedded fonte de caligrafia natural.

então como abraçar os blogs dessa vez?
- confiando de novo.

e eu não me lembraria disso se namorado não tivesse ouvido esta noite a história dos três dias que antecederam a entrega da monografia, quando o fabrício disse confiar em mim permitindo a entrega de toda a análise e considerações finais sem revisão.

é verdade, eu me preocupo em dizer coisas pertinentes entre o observado e a bibliografia, mas isso só acontece porque eu insisto em trazer meus autores para tomar café comigo. acho que agora só falta o namorado.


ps.: este é um daqueles posts em que tento dizer muito e termino sem saber se consegui dizer alguma coisa

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