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eu não quero estar, ficar ou ser longe de você

conversar com nossos amigos geralmente nos permite compreender ou notar levas de nossas próprias índoles que talvez não o fossem percebidas caso não a estivéssemos a falar em voz alta - para um outro e para nós mesmos ouvirmos.

a sensação de estar reconstruindo meu blog é real, e só me dei conta da intensidade e virtualidade disso, enquanto conversava com a gorda esta noite.

não vou negar que uma parte de mim ficou decepcionada: não pelo fato da reconstrução, mas sim pelas razões que implicaram a mesma. me incomoda compreender que a aplicação de regras inconscientes no meu ato de escrita transformada em post ocasionou a minha própria fraude de sentir, de sentir e me deixar ser - um blog como um blog ou um blog como meu objeto mais estimado de pesquisa.

quem me conhece bem sabe que enquanto a blogosfera estiver acordada, mesmo só em casa, eu não estarei sozinha. mas acho que é hora de confessar que incontáveis vezes, eu me senti solitária em meu próprio espaço que no decorrer do tempo, dá-se em archives.

quem me conhece bem sabe que as incontáveis horas que passo online são intensamente destinadas à busca do elemento, fator ou semblante humano expresso em entries, à busca de um pedaço sensível da vida de um vizinho que more muito distante ou muito próximo de mim em geografia real, à busca do contar de histórias de vida: que me façam rir ou chorar e quem sabe até à busca de pedaços de narrativas que me possibilitem construir histórias de vidas... dessas pessoas que me fazem companhia e que de total forma, são meus vizinhos aqui na blogosfera.

quem me conhece bem sabe que dentro de mim há esta paixão em explorar a natureza complexa do processo de recepção em blogs. sabe que minhas análises sempre partem do pressuposto de que os receptores propiciam a configuração de um mundo sensível, e que elementos como a prática e o discernimento humano desempenham um papel essencial no estudo que tenta compreender ou amostrar a recepção, como processo ou como ponto de chegada ou partida neste ambiente.

mas partindo ou chegando, por trás de um blog há sempre um ser humano. e quem é este usuário/receptor que age como meu sujeito em estudo? quais são os efeitos ou impactos (psicomotores, afetivos, cognitivos) sofridos por este usuário/receptor? que influências este usuário/receptor recebe da mídia (weblogs) e até que ponto ele pode exercer influência sobre ela? como este usuário/receptor interfere e transforma ou não a mensagem que recebe? como se dá o processo de descoberta de significados que acontece quando este usuário/receptor entra em negociação e interage com a mensagem? a leitura poderia também ser compreendida como processo perceptivo, para o qual concorrem os órgãos sensoriais humanos desde usuário/receptor?

um dia eu gostaria de saber doar hipóteses ou observações que incitariam respostas reflexivas a estas perguntas, mas no momento, tudo o que posso dizer é: eu sempre acreditei no coração dos moradores da blogosfera, mas por algum tempo, eu deixei de acreditar no meu.

e assim, talvez este seja o momento de agradecer ao fabris por ser e estar na minha vida. eu sentia falta do meu coração e não sabia. e agora eu o vejo bater, até mesmo aqui - de volta.

eu quero ficar.

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Comments

carmela, e eu ontem te abracei sem saber que o lorenzo já tinha chegado! parabéns! bem-vinda ao grupo das tias [ter sobrinhos é muito legal, como tu vais descobrir a partir de agora]

ah, meu deus, como é que esse menino vai aguentar desse jeito? seu coração existe e é do tamanho do mundo... da blogosfera, inexplicável!

nossa conversa nnao surtiu efeitos só em ti, nos meus posts também. e o processo receptivo vai acontecer e nnao importa como...

beijo, amiga.

Oi menina :)
Recém cheguei de uma apresentação de trabalho, em Ijui, onde falei sobre meu projeto de mestrado (pouco) e sobre os blogs (muito). Deu para acompanhar a sincronia daquelas bocas se abrindo e ler aqueles pensamentos que me fazem sentir mais fortemente o meu lado de out sider.
Bah... foi muito bom ler estas tuas reflexões :)
Mas me diga, como vai indo o processo do mestrado? (acho que este vai ser um espaço muito importante para ti)

abraço,

Su

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