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November 28, 2003

eu não quero estar, ficar ou ser longe de você

conversar com nossos amigos geralmente nos permite compreender ou notar levas de nossas próprias índoles que talvez não o fossem percebidas caso não a estivéssemos a falar em voz alta - para um outro e para nós mesmos ouvirmos.

a sensação de estar reconstruindo meu blog é real, e só me dei conta da intensidade e virtualidade disso, enquanto conversava com a gorda esta noite.

não vou negar que uma parte de mim ficou decepcionada: não pelo fato da reconstrução, mas sim pelas razões que implicaram a mesma. me incomoda compreender que a aplicação de regras inconscientes no meu ato de escrita transformada em post ocasionou a minha própria fraude de sentir, de sentir e me deixar ser - um blog como um blog ou um blog como meu objeto mais estimado de pesquisa.

quem me conhece bem sabe que enquanto a blogosfera estiver acordada, mesmo só em casa, eu não estarei sozinha. mas acho que é hora de confessar que incontáveis vezes, eu me senti solitária em meu próprio espaço que no decorrer do tempo, dá-se em archives.

quem me conhece bem sabe que as incontáveis horas que passo online são intensamente destinadas à busca do elemento, fator ou semblante humano expresso em entries, à busca de um pedaço sensível da vida de um vizinho que more muito distante ou muito próximo de mim em geografia real, à busca do contar de histórias de vida: que me façam rir ou chorar e quem sabe até à busca de pedaços de narrativas que me possibilitem construir histórias de vidas... dessas pessoas que me fazem companhia e que de total forma, são meus vizinhos aqui na blogosfera.

quem me conhece bem sabe que dentro de mim há esta paixão em explorar a natureza complexa do processo de recepção em blogs. sabe que minhas análises sempre partem do pressuposto de que os receptores propiciam a configuração de um mundo sensível, e que elementos como a prática e o discernimento humano desempenham um papel essencial no estudo que tenta compreender ou amostrar a recepção, como processo ou como ponto de chegada ou partida neste ambiente.

mas partindo ou chegando, por trás de um blog há sempre um ser humano. e quem é este usuário/receptor que age como meu sujeito em estudo? quais são os efeitos ou impactos (psicomotores, afetivos, cognitivos) sofridos por este usuário/receptor? que influências este usuário/receptor recebe da mídia (weblogs) e até que ponto ele pode exercer influência sobre ela? como este usuário/receptor interfere e transforma ou não a mensagem que recebe? como se dá o processo de descoberta de significados que acontece quando este usuário/receptor entra em negociação e interage com a mensagem? a leitura poderia também ser compreendida como processo perceptivo, para o qual concorrem os órgãos sensoriais humanos desde usuário/receptor?

um dia eu gostaria de saber doar hipóteses ou observações que incitariam respostas reflexivas a estas perguntas, mas no momento, tudo o que posso dizer é: eu sempre acreditei no coração dos moradores da blogosfera, mas por algum tempo, eu deixei de acreditar no meu.

e assim, talvez este seja o momento de agradecer ao fabris por ser e estar na minha vida. eu sentia falta do meu coração e não sabia. e agora eu o vejo bater, até mesmo aqui - de volta.

eu quero ficar.

November 27, 2003

with the words you've borrowed

e então ela veio conversar comigo. talvez porque amigos multiplicados existem ou porque simplesmente temos conosco algo tão especial que nos deixa com receio de cometer qualquer dano que prejudique o que hoje nos é valioso.

e então ela me disse:

eu lembrei de um diálogo que eu vi... se passa num filme... entre um casal de namorados/amantes e ela (julie christie) fala assim uma hora pra ele:

"it should be so easy to be happy, shouldn't it? should be the easiest thing in the world"

e ele responde: "should be"

e ela fala: "i wonder why it isn't. maybe it is."

how can we ask for more?

vão sobrar poucas coisas pra nós.
mas talvez sobre pouco de nós para as coisas também.

você precisa ouvir a entonação dele quando ele diz: legal, né?

ps.: por que eu tenho a sensação de estar reconstruindo meu blog?

they watch their city change

a mãe sempre conta que a última gravidez dela foi planejada. um intervalo de sete anos e parecia ser hora da família toninelo também ter uma menina. a mãe conta que quando ela perguntava para os meninos se eles queriam uma irmãzinha, o giovanni dizia que queria porque teria mais alguém com quem brincar, mas a mãe conta que o luigi dizia que não queria saber de menina. que se nascesse uma menina, ele mataria a pequena criatura.

a família conta que minha vó ficou com os meninos em casa quando a mãe foi para a maternidade. a mãe diz que de um parto que deveria ter acontecido um dia antes, eu só quis saber de sair da barriga dela muito tarde da madrugada, quase que ao amanhecer do dia. seis horas eu fiz minha mãe esperar, mas ela diz que eu esperei bem mais. nove longos meses, até vir ao mundo no dia mais frio daquele ano.

a família também conta que minha mãe temia a reação do luigi. a menina nasceu e contam que quando o inquieto e feito filho do meio soube, lá foi ele correndo para o quarto escrever cartõezinhos de boas vindas pra mim. alguns ainda existem guardados, e os outros se perderam da mesma forma que o luigi costumava me perder ao tentar me segurar no colo.

meu sobrinho foi um filho planejado, ou melhor dizendo, o segundo filho planejado. a família conta que a primeira vez que o luigi perdeu o senso de controle foi quando a minha cunhada teve o primeiro feto abortado naturalmente. a mãe diz que foi um desconsolo só e que se não fosse pela força da mulher com quem meu irmão casou, o lorenzo não teria se transformado em feto no mês seguinte.

e então o pequeno menino chegou ao mundo esta manhã. ficou faltando só dois centímetros pra meio metro, disse meu irmão enquanto perambulava pelo hospital conversando comigo.

ele tá tentando abrir os olhinhos pra enxergar as menininhas que estão perto dele. tô aqui perto da incubadora, carmela. meu filho é tão legal!

e é óbvio que o filho do meu irmão é legal. porque o pai dele é um cara muito legal também. e eu estou ficando sem palavras, porque eu queria poder me juntar a ele e ao alê e me entorpecer fumando charuto o dia inteiro. acho que vou beber conhaque sozinha enquanto utilizo cabos ópticos da telefonia brasileira para me conectar agora com meu outro irmão perdido em alguma boca de denver.

note: eu não ando tendo coração suficiente pra suportar tudo isso que anda acontecendo! tá pulando pra fora! e acho que eu começo a entender agora porque meu pai anda me agradecendo tanto.

ps.: o luigi foi o primeiro a abrir - desesperadamente - o falcon que ele ganhou naquele natal passado, muito antes de eu vir ao mundo.

November 26, 2003

como administrar a saudade

i'd like to hire a plane

lembro que quando o luigi casou eu me perguntei se no futuro, ele seria um bom pai. eu fui madrinha de casamento junto com o nê e acho que demos uma máquina de lavar louça de presente. essa noite eu estava a olhar as fotos do matrimônio.

dizem que o gio ligou para o luigi ontem dizendo que iria comprar uma espingardinha de pressão para mandar para o sobrinho. minha mãe não pára de me chamar de tia cá e meu pai está se sentindo tão mais nono que qualquer outro nono da nossa família.

estamos aos pedaços em cantos diferentes da terra, mas nada que cabos ópticos da telefonia brasileira não seja capaz de conectar.

o luigi quer estar na sala do parto. a mãe disse que o acha corajoso. que será que meu irmão sentirá quando enxergar aquela pequena criatura chegar nesse mundo?

November 25, 2003

there are parts of me that will be missed

the romance is hard to ignore

November 24, 2003

e então ele apareceu de óculos para me pegar

mister match (elevado à cupidaço este final de semana) estava me contando hoje sobre os parâmetros de 'mundo' em que ele e namorado andam vivendo atualmente - mundos estes, que seriam os equivalentes ao da normalidade humana e o da perfeição deliberadamente surreal de algo feito o filme magnólia. contei ao mister match que a mãe do namorado tem magnólias plantadas no jardim da casa dela.

esta é a primeira noite em que durmo sem minha cpu. sem nunca ter deixado o workspace, o gabinete pesado e cheio de cabos, placas e ventiladores foi levado pelo técnico em atendimento de emergência visto que após a instalação de uma nova placa de rede, o meu HD não mais respondeu. esta noite eu deveria estar com saudades da minha cpu, mas a verdade é que quem mais faz falta hoje, é o namorado.

sherry turkle costuma dizer que fifteen years ago in popular culture, people were just getting used to the idea that computers could project and extend a person's intellect. pra ela, today people are embracing the notion that computers may extend an individual's psysical presence.

num final de semana em que fabris veio me namorar de surpresa, a última coisa que lembrei foi que em algum quarto não muito longe de um outro onde eu estava, havia um computador - o meu computador: justamente aquele que me fez sentir pela primeira vez, a presença dele, o fabris, meu namorado (na malinha dele havia a nova edição do neuromancer, da editora aleph. ainda não sei se gostei dessa nova capa e projeto gráfico, mas acho que vou comprar um igual).

ps.: obrigada ao meu casal de amigos predileto, à gorda, à jajá e à márcia por terem guardado segredo. eu ainda acho que vocês me fizeram de boba, mas a surpresa que recebi não tem preço. foi única.

note.: de natal eu quero uma tolha de banho com capuz, melhor conhecida como touca (das versões toalhas de banho para criança).

November 21, 2003

shut it off and the whole thing is wiped out like a dream

I have heard the future, and it is the frank popp ensemble.
hip teens don’t wear blue jeans, and love is on our side.
that is all*.

November 19, 2003

do we project complexity onto people?

sempre quando eu entro no 'meu' famoso site de downloads eu penso no bill e acabo me lembrando do seu um tanto quanto metido slogan: 'where do you want to go today?'

na minha versão - what do you want to download today? - é somente o que diversos usuários ao redor do mundo optaram por disponibilizar, dividir e compartilhar que acaba sendo o possível no meu ato 'baixar'. é como se a minha escolha estivesse, antes de mais nada, predestinada a escolha de um usuário anterior a mim, e apesar desta escolha anterior nem sempre ser compatível ao meu gosto pessoal, é interessante notar que às vezes por um deslize, acaba sendo.

namorado gosta tanto de smiths que quando encontrei este documentário sobre morrissey disponível em torrent resolvi baixar. pensei que no mínimo eu podia compreender um pouco do porquê smiths é a banda do coração do namorado. e quem sabe no máximo, eu podia até gostar, afinal de contas, eric jackson já havia escrito no manchesteronline:

the title of the programme was the importance of being morrissey but, to borrow another line from oscar wilde, it could have been called i've nothing to declare but my genius.

e o que acontece é que o documentário é humano. num 'humano' em que até quando morrissey faz careta de envergonhado você consegue se sentir envergonhado com ele. num 'humano' em que quando você ouve nancy sinatra dizer (ao abraçar morrissey) que ele é um great hugger, você até consegue se sentir abraçado por ele também.

because steven patrick morrissey, formerly of the smiths, professional mancunian and undoubtedly the greatest writer of pop lyrics ever, gave absolutely nothing away about his personal life in this one-hour documentary.

what we value in the machine

ultimamente notei que a a minha atenção assistindo meus seriados semanais andava muito mais atrelada à trilha sonora que ao conteúdo dos episódios. provavelmente porque uma coisa leva a outra ou porque determinados seriados não andavam catalisando uma quantidade esperada de emoção - minha.

mas esta semana as duas coisas realmente se uniram. a trilha com o conteúdo, ou o conteúdo com a trilha. e quando eu digo esta semana eu me refiro ao episódio (provavelmente o melhor desta temporada até agora) em que ED começa a fazer terapia, e ao puramente meigo episódio de everwood onde tudo se resumia na frase: 'just open your mouth and sing'.

ED optou por eels em friendly ghost. já everwood optou por bluebird of happiness do último disco do mojave 3. acho que não preciso dizer em que parte do episódio eu colidi.

ps.: meu irmão no domingo:

I guess you already know I got a digital camera... going to work yesterday, I took these pics thinking about you ;)



November 18, 2003

in the culture of simulation, if it works for you, it has all the reality it needs

quando o guilherme (meu vendedor da cultura) apareceu com meu derrick de kerckhove numa das mãos eu fui obrigada a esticar os braços, pedir um abraço e agradecer o menino que ficou sem entender nada.

o modo de expressar as coisas que sinto já foi um dia estudado, justamente numa época em que a dor causada pela opinião dos outros me fez tanto questionar o certo, o errado, o instinto, a sinceridade e os motivos da forma como a exposição do meu 'eu' sentir, chega ao mundo real. acho que os estudos nada mais fizeram do que analisar as minhas escolhas ao me fazer presente no mundo. o caetano diria que a liberdade em expressar o que se sente é uma alternativa para sempre sentirmos mais.

acho que ultimamente as minhas formas de sentir para sentir mais andam ganhando espaço ou encontrando novos formatos inusitados de expressão. e acho que os acontecimentos das últimas quatro semanas têm incitado isto. ontem a mãe veio me dizer que eu andava ouvindo músicas mais alegres e que o costumeiro nível do volume do som havia aumentado. a gorda no domingo comentou que finalmente eu troquei o esmalte recorrente das unhas e há muito tempo eu não me sentia tão bem saindo de casa para estar ao redor de amigos.

sábado falando com o namorado, e conversando sobre passeios em shoppings ou na rua, ficamos nos perguntando o que a terceira faixa etária da espécie humana pensaria se nos visse andando juntos, com namorado abraçado em mim. será que eles fariam cara feia quando vissem minhas tatuagens? será que eles olhariam feio para a forma com que namorado se veste? será que estranhariam a viseira que ele usa?

a idéia fomentada foi de que a terceira faixa etária da espécie humana acharia aquele casal lindo porque nos enxergariam antes de mais nada - felizes. segundo namorado, as pessoas conseguem perceber quando algo deu muito certo desse jeito.

às vezes eu tenho a impressão que a distância fez eu transformar o namorado neste ser invisível que consegue estar comigo onde quer que eu realmente esteja. se isto então não funciona na prática, é bem provável que o meu semblante transpareça a presença que ele tem dentro de mim. e é notável como a espécie humana ao redor já consegue perceber isso.

namorado me disse este final de semana que quando falamos um do outro acabamos transmitindo um tanto daquilo que cada um de nós representa para o outro e as pessoas ficam imaginando coisas muito grandes. a verdade é que é assim só pra gente.

no dia das quatro semanas de namoro, eu sei que você compreende o quanto estas coisas - grandes - que sinto, significam pra mim.

November 14, 2003

brace yourself

quando o dia que nunca termina decidir to go offline eu quero ouvir tudo o que o mundo viveu enquanto eu estava imersa. acho que depois de hoje eu posso aprender a nadar. e a tentar de novo se eu falhar.

November 13, 2003

he'll be in this world very, very soon

a cesárea foi marcada para o dia vinte e sete. o desembarque do lorenzo deverá ocorrer no mesmo dia em que meu irmão se casou. ele já pesa quase três quilos e dizem que ele tem cabelo espetado.

ahh meu primeiro sobrinho...

November 11, 2003

eight arms to hold you

eu sei pouco da história dele e quem me conhece sabe que ter histórias para contar de links e pessoas na rede é um apreço além de hábito e apego: meus. e a verdade dos meus pequenos dados é que ele trabalha com a esposa e que ele é o jim por trás do coudal, um estúdio admirável que fica num pequeno pedaço de chicago. então desde semana passada eu estava para escrever sobre o projeto novo do jim e sua equipe: o jewelboxing. e o interessante no projeto novo deles é a escolha simples pelo objeto transformado em produto. caixas de dvd, simplicidade na concepção da idéia, e belíssimo jogo de arte e estrutura de criação para os clientes. é como se fosse a venda de um produto que ainda está para ser criado, transformado, gerido. uma matéria-prima inteligente que não omite a capacidade daquele que compra, em re-fabricar.

e acho que meus elogios não param por aqui. porque jim acreditou na utilidade da existência ou inserção de um blog no site do jewelboxing. documentar o processo de começar um micro negócio online, estar ali para contar o que ocorre ali e nos trazer um pedaço a mais de realidade da virtualidade que ele cria online e naturalmente, offline.

Our partner Andrew called last night to say, "I looked into Katie's office and couldn't see her behind the neat stacks of Jewelboxing 20packs all boxed up and ready to go." Sweet. Tomorrow we'll be a week old and we couldn't be having more fun.*

e meu tão querido ex-namorado e microservo gustavo (sim, o real, pq ele trabalha para o bill lá em seattle) veio visitar meu mailbox hoje para contar que terminou de ler microservos, que muitas vezes se sentiu o dan (ele é o dan mais dan que conheço) e que seu blog em sua residência na rede já estava no ar. e isso me lembrou este mesmo dia onze três meses atrás, quando ollie me escreveu contando que havia abraçado os blogs:

Vim avisar pra você porque afinal de contas, você foi uma grande inspiração para eu decidir bota-lo no ar, e pela forma como ele tomou. Você não faz idéia. (...) Foi lendo meltoni que eu percebi o potencial dessa mídia, e até um pouco como usá-la.

o ollie e o gustavo estão usando movabletype e o gustavo ainda fez questão de escrever sobre suas objeções a ferramenta, mas eu não posso negar que a minha emoção mesmo ficou estampada quando soube que ele comprou o livrinho do salam pax. e eu juro que são nesses momentos que eu sinto vontade de me abraçar e me dizer que todas as minhas horas de estudo valem a pena. porque elas valem, não valem?

ps.: adendo a manic street preachers no disco de remixes do forever delayed. ian brown está de muito parabéns. namorado diz que bradfield podia cantar em uma banda de metal melódico, e eu concordo com ele.

looks like Doug has gone into the dictionary...

eventualmente a lista se mexe, feito uma bolha. às vezes ela traz boas notícias, outras simplesmente notas interessantes. o digest do mailing list de douglas coupland chegou esta manhã... informando que o hey! menino coupland foi para o dicionário.

McJob (mek jäb') n. a low-paying job that requires little skill and provides little opportunity for advancement.

artigo na cnn.

artigo da bbc (esta credita o bom menino genioso).

November 10, 2003

don't worry about dreaming because i don't sleep

na sexta feira eu descanso

as I sit here and type this

às vezes eu penso que tudo que eu precisava era chegar diante do monitor e encontrar algo digitado neste arquivo doc salvo com o nome de 'sparkle'. em caps, arial 12 e negrito eu então leria:

ABRA SEU CORAÇÃO.

they've got a song

só mencionando que o refrão é a minha parte predileta e que a letra em si realmente exprime de forma bem humorada e inteligente o que aquele par tende a ser nos dois lados da vida.

shannon campbell, a autora da música em seu post sobre a mesma.

mena, o lado trott feminino, falando sobre seu presente de aniversário: a música.

November 9, 2003

the computer explains quite literally that love is a word

aos dez primeiros minutos do filme eu já poderia ter sido retirada muito que satisfeita da sala do cinema. eu já tinha chorado, eu já tinha visto beleza suficiente, eu já tinha revisto o capitão gyro de mad max e eu não precisava (definitivamente) concluir a trilogia assistindo tencionalidades de batalhas épicas. aos dez primeiros minutos eu estava feliz. eu ouvi um programa falar sobre amor.

neo: but love is an emotion.
rama-kandra: it is a word.
rama-kandra: it is a connection that the word implies.

ps.: rama-kandra foi a sétima encarnação de vishnu (o segundo deus da trindade hinduísta). kamala (um dos nomes da flor de lótus) é encarnação lakshmi, que é a personificação do lado vishnu feminino, a mulher perfeita. a filha dos dois, sati (que em sânscrito significa fim, destruição) foi casada com rudra, encarnação do terceiro deus da trindade hindu, shiva - aquele que destrói e transforma.

November 8, 2003

na verdade, na comunicação mediada pelo computador, o céu não é o limite

adam and joe go tokyo foi uma produção da BBC 3 de londres. programa dentro das médias tendências dos reality shows, ele trazia adam buxton e joe cornish em episódios semanais diretamente de tokyo, de onde eles narravam as tendências (as vezes de forma demente) da cultura pop da cidade, as curiosidades e as insistentes tentativas (deles) em se tornarem famosos: por lá. o programa foi exibido até julho deste ano e fechou com oito episódios. integrando os dois meses de residência da dupla casualmente perfeita em terras nascentes dos mangas e da nossa querida hello kitty.

estando à disposição para download há meses, só agora a curiosidade foi para reverência. tendo assistido quatro dos oito episódios, eu ainda espero pelos restantes. na verdade, eu ando querendo assistir o princípio de tudo.

e nos ademais.... parminder nagra, a indiana de bend it like beckham, é a nova residente de ER na temporada atual exibida no brasil pelo canal warner: boa surpresa. no sétimo episódio da quarta temporada de gilmore girls o que tentou ser boa surpresa foi a presença de sebastian bach do skid row tentando alimentar a comicidade do roteiro. sim, ele é escolhido como o guitarrista da banda de lane e sim, rory começa a usar rabos de cavalo nos cabelos.

entre ir ou não ir com carol para new york, o sétimo episódio desta quarta temporada de Ed provou que pode ou tem uma quantidade suficiente de dramas para render mais uma quinta ou sexta temporada. tendo como trilha fountains fo wayne e blue rodeo para fechar o episódio, Ed decide ficar em stuckyville enquanto carol embarca para ir de encontro com a realidade de seu maior sonho 'prático': sua carreira como escritora. acho que vale lembrar que hasn't hit me yet foi a música do blue rodeo tocada e que sim, it hasn't hit Ed yet.

e como sem everwood a minha rotina de seriados não seria a mesma, three miners from everwood, o sétimo episódio desta segunda temporada, contou com três convidados especiais e uma aula de jazz de fazer encher copinhos d'àgua. não há seriado no mundo que trabalhe tanto a beleza do piano como este, e certamente não há outro seriado com uma instigante família brown pra fazer tropeçar os pensamentos da gente. já disse que eu acho o namorado parecido com ephram brown em algumas coisas?

é o caminho do que se sabe para o que não se sabe

quando alguém te liga tarde da noite e acaba por dizer que vai te atacar, você realmente não tem do que se queixar.

eu tento controlar minha mente como você, mas eventualmente ela falha. e talvez seja este o 'bug' dos nossos sistemas. a gente 'sente'.

eu me comporto pois dizem que serei bem recompensada. eu tenho paciência pois me pedem com carinho para ser paciente. eu aceito a metade da descrição dos eventos porque me prometem a outra metade para mais tarde. eu li em algum lugar essa semana algo sobre o tempo.

sim, eu adoro o meu namorado.

November 6, 2003

surrender, i thought, there's no place to hide. the butterflies will always win.

mister match e eu conversávamos noite passada sobre este período notável e contabilizado no tempo que se passa agora. algo do tipo 'algo está acontecendo nas últimas semanas' ou 'será que fomos abençoados por alguma entidade secreta?'

desconhecida que seja a verdade da realidade em si, não deixa de ser presente e sincera a vontade que dá de chorar em ver a gente assim. somos quatro, um par de duplas ou simplesmente quatro unidades humanas que não fugiriam muito da sanidade se pensassem que foram ternamente presenteadas com algum reflexo de amor divino (quem sabe seja mais simples chamar a isso de benção mesmo).

mas o fato é que semana passada eu ganhei do namorado o ghost in the shell em versão caixinha de dvd. e antes de imaginar que eu poderia juntar minhas leituras ao conforto duma história intricada, estranha e muitas vezes hermética (pq o ghost é assim) eu mantinha na minha cabeça a idéia transposta pelo namorado de que eu era muito parecida com motoko kusanagi. segundo namorado, somos bastante introspectivas, temos crises existenciais e estamos sempre conectadas à grande rede de computadores.

se no futuro descrito por shirow masamune, homens e máquinas são tão perfeitos que ninguém sabe mais quem é quem, certamente que o único detalhe que os diferenciaria, seria a presença de seus respectivos fantasmas (ou seja, a alma humana). no futuro de masamune, propício ao ano de 2029, apesar de toda a capacidade e evolução da cibernética, sua personagem central procura dentro de si esse sinal de humanidade. esse sinal que pra mim, se resume muito prontamente em tentar me encontrar ou me achar dentro do meu próprio projeto de pesquisa.

gustavo me disse hoje que o projeto não é pra ser achado ainda, que o projeto é uma grande pergunta que você faz. então como abraçar os blogs dessa vez?

hoje namorado recebeu uma figura da motoko transformada em brinquedo. e só eu sei que o me fez confiar a compra de um presente importante numa loja tão amplamente fora dos meus padrões de aceitação (estéticos): o sobrenome do dono da loja.

ricardo pirillo foi meu atencioso vendedor, e eu duvido muito que ele saiba que não muito distante do domínio dele na rede, existe o de um outro alguém com mesmo sobrenome. chris pirillo é americano, programador, fundador do lockergnome e autor de um blog com embedded fonte de caligrafia natural.

então como abraçar os blogs dessa vez?
- confiando de novo.

e eu não me lembraria disso se namorado não tivesse ouvido esta noite a história dos três dias que antecederam a entrega da monografia, quando o fabrício disse confiar em mim permitindo a entrega de toda a análise e considerações finais sem revisão.

é verdade, eu me preocupo em dizer coisas pertinentes entre o observado e a bibliografia, mas isso só acontece porque eu insisto em trazer meus autores para tomar café comigo. acho que agora só falta o namorado.


ps.: este é um daqueles posts em que tento dizer muito e termino sem saber se consegui dizer alguma coisa

the handsome boy modeling school

a silvinha está em bombaim. escreveu dizendo que está lá para oficializar o noivado. disse também que aquele lugar lhe traz muitas recordações. e eu tenho certeza que sim.

a silvinha foi minha parceira perfeita. e uma menina linda que minha mãe asha (que em hindi significa esperança) amava muito. acho que foi entre uma aula de mehndi ou outra, entre um café gelado ao lado do hotel taj ou entre dancinhas noturnas no copacabana que ficava ao lado do mar arábico que a silvinha se apaixonou. até o final do intercâmbio dela, ela namorou o jay. e o jay era esse indiano lindo, inteligente, alegre, companheiro e com um coração que por mais que a gente tentasse a vida inteira desenhar num papel apenas como simbolismo, a gente não conseguiria.

então até onde eu sabia a silvinha ia se casar. no início do ano jay veio da índia pra conhecer a família dela e aplicar o famoso pedido diante das tradicionais funções casamenteiras da sociedade. e agora os dois estão lá, na casinha da família do jay que mora no subúrbio de bombaim, oficializando este noivado que tende a ser o mais meigo dentre as tradições indianas.

somente num bairro de bombaim é possível encontrar elefantes gordos e grandes perambulando pelas ruas. eu quero que a silvinha se lembre disso.

we'd all like to be known as the 3-D person we are

eu até pensaria em traduzir se soubesse que seria capaz de atingir uma porcentagem de transcrição tão próxima do que david weinberger escreveu. na verdade eu poderia conseguir se tentasse, mas a construção dos parágrafos não seria a mesma, apesar do conteúdo permanecer o mesmo.

Halley is wondering if maybe online relationships are worse than mere shadows of real world ones. Maybe online we paint a false but convincing picture of who we think we are or who we'd like to be. (Halley puts it a lot better than this.)

I guess I'd agree, except that I think the same is true of the full spectrum of human relationships.

We aren't simple objects defined in their apartness. We are our relationships. We present ourselves and comport ourselves with a sense of how we look to others. We are social selves and Rorty describes it well, but not as well as Shakespeare, Flaubert or Roth. (In fact, Rorty writes that it's progress that novels are where we now work out moral issues.)

We write ourselves into existence online, but we dress and primp and inflect and gesture ourselves into existence in the real world.

IMO, there is no real self that's a core behind the public views we present. There's only relationship. Online selves are just one more type of relationship, with their own truth, deception and play.

November 5, 2003

it's nice to have some secrets, to at least suggest at some sort of mystery

a idéia sem dúvida nenhuma não foi de gênio, mas o pequeno curta de leonard lin, desenvolvido para uma de suas aulas de cinema provavelmente foi editado em final cut. uma boa edição por sinal. as performances caseiras até que muito dementes e engraçadas contam com o ryan pants que é esse americano solidário a eventos como SXSW. o bacana do video em si não é uma reconstrução do típico roteiro sofrido dos eventos RIAA que tem aparecido por aí, o bacana é a trilha: que de radiohead vai pra tom jobim que abre para the bridge of khazad dum de howard shore que fez parte da trilha da sociedade do anel.

November 3, 2003

te prepara pra seis meses no escuro

ontem pela manhã o gustavo veio me dizer que tinha lido 'uma coisa legal' quando entrou num site que homenageava o elliot smith.

hug your favourite indie-rocker next time you see them live and tell them that you'd miss them if were gone (that might help). truly sad.*

então eu disse que isso não valia só para os nossos indie-rockers prediletos. disse que também valia para os nossos indie-writers prediletos e que eu tinha de passar na feira do livro pra dar um upa nele. eu fui, mas esqueci de dizer que sentiria falta dele se ele fosse embora.

e isso me lembrou uma passagem de um episódio antigo de everwood em que o tema era o dia dos namorados e que todo o plot foi centrado na narrativa de dr. brown. durante todo o episódio ele lia esta carta que havia escrito para sua esposa já falecida, sempre com a idéia de:

dear valentine.
these are the things I never told you.
these are the things I need you to know.

somente nas últimas cenas do episódio a gente descobria dr. brown sentadinho redigindo a carta, e ela terminava assim...

that I loved you always. and my love was so big, it lives still after you're gone. I'd like to tell you that I would do it differently. that if I had one more day I would do everything right. but I know that isn't true. I'd make all the same mistakes. that is except one. i wouldn't say goodbye.

November 2, 2003

give it time and maybe one-day it’ll come around

infelizmente meu fornecedor de seriados não fez o serviço completo esta semana. everwood em seu mais recente episódio ainda encontra-se indisponível para download enquanto penso seriamente em baixar tru calling que só me chamou atenção pelo fato de ter criado seu apropriado blog num dos spots do blogger. isso é algo que me deixa feliz.

e pra não deixar de mencionar, o sexto episódio de ED desta quarta temporada realmente reanimou minhas expectativas. como foi bem lembrado pelo gustavo semanas atrás, a trilha de abertura de ED voltou a ser next year do foo fighters abandonando a tão meiga e querida moment in the sun dos queridos indies do clem snide. mas o fato é que neste último episódio em que carol vessey decide abandonar sua vida em stuckeyville para quem sabe sonhar em viver algo a la sex and the city em nova iorque, life goes on do echo cumpriu sua missão como o enxuto coadjuvante.

if i had to walk the world

lembra quando você costumava dançar the promise do when in rome? o grande e úncio hit do trio de um único disco lançado que foi capaz de ganhar trocentos remixes diferentes e que entrando os anos noventa, pff? eu acordei pensando nesta música hoje. e sim, eu fui atrás dela pra relembrar de como movimentos anos atrás conseguiam ter e fazer sentido diferente.

em algum momento do aniversário da márcia ontem, entramos nessa conversa que puxou das memórias familiares aquelas brigas de brincadeira que costumávamos ter com irmãos. extamente aquelas em que dávamos porrada de verdade porque a briga de brincadeira tinha a total intenção de ser real. e eu tive muitas delas, e eu tive dois irmãos sendo que um amigavelmente sempre ficava do meu lado.

eu consigo lembrar exatamente a última vez que dancei the promise numa festa. e eu lembro exatamente em que canto da pista estava. eu não dançava melhor naquela época.