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new visions were hatched there daily

Karla entrou na sala nesse momento. Desligou o aparelho de televisão e olhou bem nos olhos dele e disse: - Todd, você existe não apenas como membro de uma família, de uma empresa ou de um país, mas como membro de uma espécie. Você é humano, faz parte da humanidade. Nossa espécie tem problemas enormes atualmente e nós estamos tentando elaborar, pelo menos em sonho, uma maneira de escapar desses problemas; e usamos os computadores para esse fim. É para a construção desse hardware e desse software que a espécie está investindo sua própria sobrevivência, e essa construção precisa de zonas de paz, de crianças nascidas na paz e na ausência das distrações das interferências de código. Talvez não cheguemos à transcendência através da computação, mas certamente com ela nos manteremos fora da sarjeta. O que você percebe como vácuo é um paraíso terrestre - a liberdade de, literalmente falando, com todas as linhas, evitar que a humanidade deixe de ser linear.

Ela sentou no sofá, e a chuva caía no telhado, e eu percebi que não havia luz suficiente na sala e que estávamos todos em silêncio.

A Karla falou: - Todos tivemos uma vida boa, nenhum de nós foi vítima de coisa alguma, que eu saiba. Nunca passamos necessidades. Nem tivemos impulsos e desejos inatingíveis. Nossos pais estão juntos, a não ser pelos da Susan. Todos recebemos uma cartada boa no jogo da vida, mas a moralidade verdadeira, Todd, está no fato de desperdiçarmos ou não essas cartadas em vidas carentes de criatividade, inclusive se as aplicarmos pra dar prosseguimento ao sonho da humanidade.

A chuva continuava.

- Não é por coincidência que, enquanto espécie, inventamos a classe média. Sem ela, não poderíamos ter a disponibilidade mental que faz brotar sistemas computacionais aos borbotões. E nossa espécie nunca poderia chegar ao nível seguinte, qualquer que venha a ser. É bem possível que a classe média nem seja uma parte desse nível seguinte; mas isso não está aqui, nem lá. Queira ou não queira, Todd: você, eu, Dan, Abe, Bug e Susan, nós somos os fabricantes do próximo ciclo REM do sonho da humanidade. Nós estamos construindo o centro de onde tudo mais dependerá. Não questione isso, Todd, nem se deixe levar pelo assunto; mas jamais se esqueça disso.
(Coupland - Microservos, 1995, p.80)

ps.: see david.

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