Main | i am almost monotonous »

you think you know but you have no idea

baterias nunca mais serão as mesmas constantemente audíveis em meus ouvidos, assim como músicas já não são as mesmas, e isso já faz algum tempo. estar presente e acompanhar o processo de montagem de uma música é a resposta da mudança, e se ela é pra melhor ou pra pior, eu realmente não sei, até porque ultimamente eu só ouço transformação.

se eu pudesse encontrar espaço em algum lugar para expôr uma gratidão, nela eu agradeceria ao charles por ter me levado a conhecer o outro lado de um arquivo de áudio. eu bem sei de meu não esforço e da desistência quanto as minhas aulas de produção, mas parte de um aprendizado automático meu - é poder tocar, ver e sentir.

eu jamais saberia discernir takes de instrumentos para inserção em uma montagem precedente a uma mixagem, eu jamais saberia discernir os menores desafinos e eu jamais saberia usar um autotune versão três que dizem que corrige tudo. meu ouvido pra música é feito o ouvido de uma pessoa comum que consome, apesar de algumas vezes ser pior pelo meu gosto às avessas. e mesmo que eu não tenha nascido com o dom pra música como alguém sete anos mais velho que eu e de mesmo sangue, eu ainda penso que ouço demais.

o valor dos barulhinhos diferentes que sempre apreciei ouvir parecem medíocres comparados a cada pista de aúdio que forma um arquivo final de música. hoje enxergo tantas ondinhas diferentes que aquelas sonoridades curtas parecem enfeites vermelhos em cabeças de crianças - e isso se chama detalhe. se eu já era fascinada por curvas em tratamento de imagem, que dirá agora que encontro elas até mesmo num estúdio de madeira.

então é verdade, passei seis horas numa residência-estúdio do subúrbio - a primeira gravação de baterias a qual pude participar. e se eu já havia observado baixos, guitarras e vocais sendo gravados, nada se compara a quantidade de microfones e cabos que facilitam a entrada de pratos, bumbos e caixas que parecem ter agora, um volume e um tom diferente pra mim.

se eu já pareço condicionada ao apego pelas primeiras músicas produzidas para o viralata.com não é porque aparenta ser uma obrigação. talvez esse apego seja parte do 'me sentir parte' e assim, acreditar que de alguma forma eu consigo estar mais próxima de uma música, que ela de mim.

e sim, se eu ainda pudesse encontrar aquele espaço em algum lugar para expôr uma gratidão, nela eu também agradeceria ao charles por me deixar fazer parte do projeto, porque enfim, maior do que ele, só ele mesmo... e é ele que se faz música.

TrackBack

TrackBack URL for this entry:
http://www.meltoni.com/cgi-bin/mt/mt-tb.cgi/786

Post a comment

(If you haven't left a comment here before, you may need to be approved by the site owner before your comment will appear. Until then, it won't appear on the entry. Thanks for waiting.)

Name:

Email Address:

URL:

Remember personal info?

Comments:
(you may use HTML tags for style)