this is hope hope from room 105
alguma noite não precisarei sentir o ardume das narinas com as fumaças vindas debaixo. o vizinho fuma maconha todas as noites e tem um péssimo gosto para incensos. e enquanto a narina arde recordo que ainda não imprimi a capa para minhas coletâneas de mp3 de outono. não haverá mais nenhuma, quem sabe para o inverno, mas a última capa foi metodicamente layoutada com folhas largas de própria estação. há uma pesada lista telefônica ao lado da cama. o abajur está desligado e a caneta para as anotações está para ser retirada da bolsa. ainda não coloquei o pijama, então você me entende, ainda não enxerguei a minha hora de dormir. com o intervalo de duas semanas e a minha possível evolução em níveis telefônicos de comunicação, acredito que saberei fazer qualquer imobiliária rir das minhas piadas sem graça. imagine que aquele engomado rapaz que tinha um anel bem mal desenhado nos dedos, naquele sábado de meio sol e dealership nos meus ouvidos, não compreendeu o quanto a atividade de visitação de imóveis poderia serdepressiva. ele não devia conhecer nem sequer um segundo de música com bateria ao fundo. me desculpe, mas ele nunca deve ter sincronizado o balanço dos olhos com uma baqueta atingindo um prato. e eu lembro que assim eu o fiz, justamente quando atingi meus olhos na janela do apartamento 508 da venâncio de número não lembrado no momento. diferente do apartamento 202 que tinha porta azul extremamente perfeita, o 508 as tinha marrom, e a janela dava para a janela do quarto do apartamento 513: mofado, empalhado, digno do ex-alcólatra aposentado que me imploraria para não ouvir sete vezes seguidas a mesma música, mesmo que o volume não importasse. e você sabe, eu só quero montar uma prateleira, e ligar meus cabos. ter meu cobertor vermelho sobre a cama e poder andar descalça num pequeno espaço - longe de todos, menos de mim.