coax from room 808 at the bottom line
(on snowsuit sound) tem vezes que gosto de imaginar que você ouve tudo o que eu ouço durante o dia. não, boboca, eu não estou me referindo a músicas não, estou tentando fomentar a idéia de que o ouvido da sua mente poderia ser capaz de captar todos os volumes das vozes que ouço, todas as falas que me são dirigidas e todos os comentários que sacodem o silêncio. sempre penso nisso quando me pedem para parar de dançar ou aparecem em minha sala dizendo que está na hora das perninhas. o mallman é o único que percebeu os barulhos que fazem meus braços se mexer e o fafá é o único que se mexe vez ou outra junto. mesmo assim o flávio ainda é o único que reclama da minha mania de criança. você precisava ouvir o que ouço. há barulho de crianças por toda parte e até mesmo quando um berço é imaginado, há uma música cantada e composta pra ela. e eu sei que você já percebeu que quando eu penso em te contar essas coisas eu me travo e apenas sinto que jamais conseguirei falar. penso tantas vezes nas versões de mãos dadas que conheço que nem me vejo esquecendo quantas veias saltadas consigo amar em suas mãos. as mãos das crianças seriam os adereços de manhãs em que não encontrariam as minhas e o balbuciar das palavras das crianças seriam os conselhos que você jamais me obrigou a te dar. você pensa que consegue dar um fim em suas histórias mas eu dou cabo de pretender que elas jamais terão fim. os adereços da sua vida são seus fios de cabelo branco e eu há meses venho tentando conta-los.